PáRA-QUEDISTA



“Meninos, eu vi”

Por: Vitor Matsubara

Tenho de confessar uma coisa: sou rato de arquibancada de Interlagos desde que me conheço por gente. Puxando de algum lugar da minha memória, recordo das manhãs de domingo sentado no concreto vendo os hoje “monstros sagrados” da Stock Car. Entre comes e bebes, acompanhava os carros rasgando a reta do autódromo sem piscar. E isso no alto de meus cinco ou seis anos de idade.

O tempo passou e, vejam só, pouca coisa mudou. Ok, eu cresci (um pouco, é verdade), mas a “dependência gasolinística” é a mesma. Por isso, não é difícil imaginar que me animei com a chance de acompanhar os bastidores da Stock. Afinal, sempre estive do lado de lá do alambrado. É, eu realmente não podia deixar essa oportunidade passar.

Não foi a minha primeira vez nos paddocks, mas o clima é realmente diferente em dia de corrida. Estive lá durante os treinos, e a agitação no final de semana é incomparável. Felizmente, com a ajuda de uma cicerone de primeira – minha amiga Urika Coimbra -, aos poucos fui me familiarizando com o ambiente.

Em certo momento, eis que surge um convite das simpaticíssimas Fernanda Gonçalves e Milla Delfino, que assessoram os pilotos das equipes Terra Racing e Sky: “quer assistir a corrida dos boxes?”. Minha adrenalina – ou seria gasolina, no meu caso? – subiu instantaneamente, mas me limitei apenas a responder com um singelo “sim, claro”. Não podia passar uma má impressão, né, vai que ela acha que sou louco e me manda catar coquinhos...

Ir até o autódromo e ver a corrida por uma tela de TV pode até parecer loucura (e das grandes), mas não é bem assim, não. Confie em mim: ter o som dos “vê-oitões” voando a mais de 200 km/h como trilha é muito melhor do que ouvir um locutor um pouco, digamos, inconveniente.

Na hora dos pit-stops, é aquela correria. Os mecânicos se aprontam e ficam a postos, tudo para uns míseros segundos em que nada pode dar errado. E não deu. O reabastecimento foi realizado conforme o roteiro, de forma rápida pelo mecânico (ou vítima, como queira) encarregado de tal responsabilidade.

No final das contas, o resultado não foi lá tão bom para a equipe. Mas quer saber? Sinceramente, pouco me importei com o resultado (que eles não leiam isso) e tampouco com a festa do champanhe. O grande vencedor do dia não foi Marcos Gomes, Thiago Camilo e nem Cacá Bueno. Fui eu.